
Falar sobre doação de órgãos é falar sobre cuidado, solidariedade e esperança. Também é falar sobre pessoas que convivem com uma rotina intensa de tratamento enquanto aguardam a possibilidade de um transplante.
Dados do Painel de Dados do Sistema Nacional de Transplantes, do Ministério da Saúde, consultados em 15 de setembro 2026, apontavam que 49.543 pessoas aguardavam por um transplante de órgão no Brasil. Deste total, 45.973 aguardavam por um rim.
Esse número evidencia a dimensão da doença renal crônica no país e reforça a importância de ampliar o acesso à prevenção, ao diagnóstico precoce, ao tratamento e à informação de qualidade. Para muitas pessoas que chegam aos estágios mais avançados da doença, a diálise passa a fazer parte da rotina. É um tratamento essencial para manter a saúde, mas que exige organização, acompanhamento frequente e apoio da família.
A espera por um transplante renal
O transplante renal pode ser uma alternativa terapêutica para pacientes elegíveis. A indicação não é automática e depende de uma avaliação individual, que considera a condição clínica, os exames, os critérios de segurança e o acompanhamento especializado. Cada pessoa tem sua história, suas necessidades e seu próprio percurso de cuidado.
No Brasil, a doação de órgãos e tecidos após a morte depende da autorização familiar. Por isso, manifestar o desejo de ser doador é importante, mas conversar sobre essa vontade com a família é essencial. Mesmo quando uma pessoa expressa em vida que gostaria de doar órgãos, a doação somente pode acontecer com a autorização dos familiares.
Como iniciar essa conversa em família
A conversa não precisa ser difícil ou acontecer em um momento solene. Ela pode começar em casa, em um momento tranquilo, quando todos tenham tempo para se ouvir. Uma frase simples pode ajudar: “Quero conversar com vocês sobre uma vontade importante para mim”.
Em seguida, é possível explicar com clareza: “Se um dia acontecer algo comigo, eu gostaria de ser doador ou doadora de órgãos”. Também vale abrir espaço para a escuta, com perguntas como: “E vocês, já pensaram sobre isso?” ou “Como vocês se sentem ao falar sobre doação de órgãos?”.
Não é preciso ter todas as respostas no mesmo momento. A conversa pode trazer dúvidas, sentimentos e opiniões diferentes. O mais importante é que a família tenha espaço para escutar, perguntar e conhecer a vontade de cada pessoa. Buscar informações em fontes confiáveis também ajuda a tornar esse diálogo mais seguro.
Informação e acolhimento em cada etapa
Quando há possibilidade de doação, após a confirmação dos critérios clínicos aplicáveis, a família é orientada por profissionais de saúde sobre o processo e é convidada a decidir sobre a autorização. Ter conversado anteriormente não elimina a sensibilidade desse momento, mas pode ajudar os familiares a compreenderem e respeitarem a vontade da pessoa.
Durante o Setembro Verde, realizamos a campanha Um Sim pela Vida. Nosso convite é para que esse tema esteja presente nas conversas em casa, com respeito, tranquilidade e informação.
Na Fundação Pró-Rim, acompanhamos diariamente pessoas em diálise, em avaliação para transplante e após o procedimento, assim como suas famílias. Em parceria com o Hospital Municipal São José, em Joinville, já realizamos 2.147 transplantes renais. Nos sete primeiros meses de 2026, realizamos 73,2 mil sessões de hemodiálise.
A lista de espera nos lembra que milhares de pessoas seguem aguardando. Também reforça o valor da informação, do diálogo e de cada gesto de solidariedade.
Um Sim pela Vida: converse hoje com sua família sobre doação de órgãos.
Por Dra. Marina de Almeida Abritta Hanauer, diretora clínica da Fundação Pró-Rim, médica nefrologista, CRM-SC 15178 e RQE 16510
Fonte dos dados: Painel de Dados, Lista de Espera e Transplantes Realizados, Sistema Nacional de Transplantes, Ministério da Saúde. Consulta em 27 de agosto de 2026.




