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Dia Nacional do Idoso: faixa etária representa mais de 30 milhões de pessoas no Brasil

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1 de outubro de 2026
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Rosa: O paciente que é aderente ao tratamento evolui muito melhor. E o paciente que é positivo, que tem prazer na vida, ele valoriza isso.

45% dos pacientes atendidos pela Fundação Pró-Rim estão acima dos 60 anos

O maranhense Abrahão (73), a fluminense Leila (62) e o sergipano José Kleber (63) têm duas coisas em comum: são pacientes transplantados da Fundação Pró-Rim e fazem parte dos 45,21% pacientes idosos atendidos nas 6 clínicas da entidade. A Lei nº 14.423, de 22 de julho de 2022 define por pessoa idosa quem tem idade igual ou superior a 60 anos. E esse número tem crescido ano após ano no país.

Segundo dados do último censo do IBGE (2022), a população idosa cresceu 56% em relação a 2010, passando para 32.113.490 pessoas. Em 1980, apenas 6,1% dos brasileiros tinham mais de 60 anos. Já em 2022, esse grupo etário representou 15,8%. 

Rosa: O paciente que é aderente ao tratamento evolui muito melhor. E o paciente que é positivo, que tem prazer na vida, ele valoriza isso.

O aumento da longevidade, apesar de ser um indicador positivo, também traz desafios. Para a nutricionista e pesquisadora da Fundação Pró-Rim, Fabiana Baggio Nerbass (CRN-10 0937/SC), é uma conta simples: “os principais fatores para a doença renal crônica são a hipertensão e o diabetes, que aumentam de incidência com a idade. E quanto mais tempo se vive com estas condições — se mal controladas — maiores as chances de desenvolver a doença renal crônica”, explica. “Inclusive, numa análise que nós fizemos do Censo Brasileiro de Diálise nos últimos anos, vimos que em 2006, por exemplo, 25% dos pacientes tinham mais de 65 anos e houve um aumento gradativo, atingindo quase 40% no último censo”, conclui.

Com a maturidade, mudanças são esperadas

Na Fundação Pró-Rim, 42,85% dos pacientes em diálise desenvolveram a doença devido ao diabetes (24,38%) ou a hipertensão (18,47%). Para a médica nefrologista e diretora clínica da Fundação, dra. Marina de Almeida Abritta Hanauer (CRM/SC: 15178 | RQE: 16510), “o envelhecimento da população é uma conquista, mas também representa um grande desafio para o sistema de saúde. O próprio envelhecimento também é acompanhado por alterações fisiológicas dos rins, incluindo redução progressiva da reserva funcional renal”.

Leila Silva dos Santos tinha uma vida agitada como funcionária pública em Niterói (RJ). Em mais um dia corrido de trabalho, sentiu calafrio e outros sintomas suspeitos para quem mal sentia dor de cabeça. “Eu participava de muitas coisas ao mesmo tempo, do sindicato, eu estudava, saía, viajava”, contou para o especial “Histórias de Amor à Vida”, do canal do Youtube da Fundação Pró-Rim. Foi quando os exames apontaram para uma inflamação nos rins que evoluiu para doença renal crônica. “Eu não tinha dor de cabeça, eu não ficava resfriada. Meu parto normal foi excelente”, recorda Leila. 

No episódio 15 do Pró-RimCast foi discutido a saúde renal do idoso

Abrahão Araújo Mota era motorista e morava em Grajaú, interior do Maranhão. Descobriu a doença renal em 2016. Ficou 8 meses internado. “Eu estava com 40% de função renal e a cada seis meses eu tinha que ir a São Luís, a 550km, para monitorar”, relembra. A pandemia da Covid-19 dificultou o acesso ao tratamento: “São Luís estava bem afetada [pela pandemia] e eu não fui no retorno. Fiquei um ano sem acompanhar e quando voltei, fui direto para a hemodiálise de emergência”, conta.

José Kleber Fonseca era comerciante de laranjas em Pedrinhas, interior do Sergipe. “A gota me deixou acamado e o clínico geral me mandou procurar urgente um nefrologista, que me deu 30 dias para ir para a hemodiálise”, contou. O início do tratamento foi doloroso:  “muitas infecções, vômitos, diarreia, vivia internado. Eu não aguentava mais, estava muito debilitado”, disse.

“É importante destacar que envelhecer não significa necessariamente ter doença renal”, explica dra. Marina. O KDIGO — organização global que desenvolve e implementa diretrizes de prática clínica para doenças renais — estabelece que há uma redução natural das funções renais devido à idade, mas isso não necessariamente configura uma situação patológica. “Por isso, no idoso, não devemos avaliar apenas um valor isolado da taxa de filtração glomerular. Precisamos considerar também a presença de albuminúria, a velocidade de perda da função renal e o risco individual de progressão da doença”, complementa. A doença renal crônica é caracterizada pela perda progressiva e irreversível das funções renais por um período superior a três meses. Exames de sangue, urina e biópsia renal são fundamentais para um diagnóstico preciso.

José Kleber (63), Leila Santos (62) e Abrahão (73), são pacientes transplantados da Fundação Pró-Rim

Um olhar mais atento e individual

Dra Marina é diretora clínica da Fundação Pró-Rim

Dra. Marina afirma que o paciente renal idoso tende a ser mais complexo que os mais jovens, justamente pelas condições clínicas que são mais comuns nesta faixa etária: “É muito comum encontrarmos várias doenças simultaneamente, uso de múltiplos medicamentos, maior risco de interações medicamentosas, fragilidade, sarcopenia e maior susceptibilidade a episódios de lesão renal aguda, principalmente durante infecções, internações ou situações de desidratação.

Por ser uma condição multifatorial, a doença renal crônica impacta de formas distintas e cada paciente precisa ser atendido de maneira individualizada. “Em um idoso robusto e independente, podemos ter uma abordagem bastante semelhante à de pacientes mais jovens. Já em um paciente frágil, precisamos equilibrar o benefício das intervenções com riscos como hipotensão, quedas, perda de massa muscular e efeitos adversos dos medicamentos”, destaca dra. Marina.

Apoio é fundamental

Rosa Gasparino, Psicóloga

Para a coordenadora do serviço de psicologia da Pró-Rim, Rosa Maria Gasparino (CRP-12 727), a doença renal crônica não acomete apenas o paciente, mas também a família. E o amparo familiar pode auxiliar positivamente no tratamento. “O paciente, quando descobre a doença renal, ele geralmente tem sentimentos de culpa, revolta.”, destaca, afirma em entrevista para o Pró-RimCast. “A gente percebe que o paciente que tem apoio familiar, que tem uma família estruturada, ele tem condições de ter mais aderência [ao tratamento]”, complementa.

Abrahão tentou seguir o tratamento no Maranhão, mas a rotina, o tratamento e os efeitos da doença estavam desgastando muito a sua saúde. Recorreu aos filhos, que moram em Joinville (SC) e se mudou para continuar o tratamento e entrar na lista de transplante. “Tenho meus filhos que moram aqui em Joinville. Eu ia ficando pior lá em Grajaú, então liguei pra eles e me trouxeram pra cá e logo entrei na lista de espera”, conta Abrahão, que precisava viajar 200km 3 vezes na semana para fazer hemodiálise na cidade de Imperatriz. 

José Kleber a todo momento teve o apoio de sua esposa que não mediu esforços para cuidar e ir onde havia o melhor tratamento. Por indicação de um amigo, se mudou para Joinville. “A Pró-Rim salvou minha vida”, conta José Kleber. “Minha mulher é uma leoa. Ela não soltou minha mão um minuto. Não me abandonou hora nenhuma. Quando eu disse que ia precisar morar pra cá [em Joinville] ela só disse ‘vamos’. Meus filhos trabalham, mas já vieram me visitar aqui. Eu amo meus filhos, foi um dos motivos pra eu lutar pela minha vida”, afirma José Kleber.

Pró-RimCast #13 falou sobre a saúde emocional do paciente renal crônico

Rosa destaca que costuma trabalhar com os pacientes uma mudança de perspectiva com relação à doença, para que os sentimentos de culpa, medo, revolta e etc não dominem e atrapalhem o tratamento: “com certeza aquele que tem família, que visita os netos, ele tem muito mais sonhos, desejos, tem muita vontade de viver, não ficam pensando em morrer, ficam curtindo a convivência, lidam com a doença quando eles são bem amparados. Ela não tem cura, mas a gente busca que o paciente seja aderente ao tratamento, seja cuidadoso, que siga as orientações hídricas e alimentares, não falte à diálise são atitudes que ajudam ele a evoluir melhor. E aquele paciente que é positivo, que tem prazer na vida, ele valoriza isso”, enfatiza a psicóloga.

“Quando fui chamada para o transplante foi uma correria. Todos estavam me esperando, desde a recepção”, emociona-se Leila, ao recordar o dia em que fez a cirurgia e da importância do cuidado e acolhimento que recebeu na Pró-Rim. “Eu agradeço muito a todos os profissionais que me acolheram. Quando eu cheguei na Pró-Rim, eu senti que eu não era um número. Eu era uma pessoa”. 

Leila conta que encontrou em Joinville um recomeço. Hoje ela frequenta uma comunidade religiosa, onde conheceu sua primeira amiga, a Bia. “Minha filha teve que voltar pro Rio. Eu fui numa loja comprar uns moletons e conversando com a dona trocamos contato. Quando cheguei em casa, tinha uma mensagem dela dizendo que podia contar com ela pro que precisasse. Aquilo foi tão significativo pra mim. Saber que eu não estou sozinha”, afirma.

A psicóloga Rosa reforça com o paciente que o transplante não é uma cura, mas o melhor tratamento para a doença renal crônica: “o paciente às vezes vem com a expectativa de fazer transplante para se livrar da máquina. O transplante realmente é o melhor tratamento, e o paciente precisa internalizar isso e seguir as orientações e se sentir pertencente ao tratamento”, complementa. “Nós, enquanto profissionais, temos que falar a verdade para o paciente decidir se quer enfrentar ou não”, finaliza.

Envelhecer com qualidade de vida

Fabiana Baggio Nerbass, nutricionista e pesquisadora da Fundação Pró-Rim

Para o paciente renal idoso, a nutricionista e pesquisadora Fabiana recomenda procurar informações em relação à otimização de medicações, de alimentação e também de atividade física para que ele consiga o maior tempo possível de uma vida independente e de boa qualidade. “Buscar o apoio da equipe multidisciplinar, para que oriente e forneça as estratégias mais adequadas para ele especificamente e que ele consiga implementar, são importantes para que ele viva o melhor possível”, afirma.

Para a dra. Marina, a prevenção também é fundamental. “Grande parte da doença renal crônica evolui silenciosamente durante muitos anos. Portanto, precisamos identificar precocemente as pessoas de maior risco, especialmente idosos com hipertensão, diabetes ou doença cardiovascular”, orienta. “Isso pode ser feito na própria atenção primária, com medidas relativamente simples e de baixo custo: controle adequado da pressão arterial e do diabetes e, nos grupos de risco, avaliação da função renal e pesquisa de albuminúria”. O KDIGO reforça que a detecção da doença renal não deve ficar restrita ao nefrologista; ela precisa começar na atenção básica.

“Em relação a envelhecer com qualidade mais saúde, o que a literatura científica nos mostra é que isso deve ser uma construção ao longo da vida. Quanto antes iniciarem os hábitos saudáveis de vida, ter alimentação saudável, atividade física, sono reparador, manejo de estresse, tudo isso vai contribuir com o nosso corpo para que ele consiga chegar numa idade mais avançada, com mais qualidade e mais saúde. Claro que há exceções, mas no geral são esses os fatores relacionados com envelhecer com mais qualidade e saúde”, destaca Fabiana.

Rosa afirma que o convívio é fundamental, mas é importante saber lidar com a solidão, pois faz parte do processo natural da vida: “a solidão faz parte do desenvolvimento humano. Mas tem pessoas que não se sentem sozinhas, tem pessoas que são muito elaboradas e que lida bem com as limitações da vida, valoriza o seu bem-estar, valoriza estar vivo, valoriza ter amigos. Mas tanto no idoso que não tem a doença, como o idoso que é renal crônico, são processos naturais. É claro que a pessoa que tem uma doença crônica tem mais sofrimento, não é uma coisa fácil lidar com a dependência da máquina, da família e a doença aumenta o grau de dependência que o idoso vai ter. Isso é normal que tenha, tudo depende do estado emocional dessa pessoa, de como ela foi na vida dela, de como ela se preparou para ficar idosa. E, claro, tem aqueles que ainda têm o seu parceiro de vida, a maioria lida melhor”.

“Hoje eu voltei a sonhar. Passei no vestibular, vou fazer a minha matrícula. Recomeçando a cada dia. Deus me deu uma nova oportunidade de viver meus sonhos, ver minha família, de ver a minha filha crescer”, comenta Leila, que apesar dos desafios, enxergou em Joinville a chance de um recomeço.

Fernando Rodrigues — Comunicação Pró-Rim

 

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