

Aula inaugural foi realizada pela diretora clínica da Fundação aos alunos do 9º período

Inicia hoje, 30/03, a parceria da Fundação Pró-Rim com o curso de odontologia da Universidade da Região de Joinville — Univille. Priorizando o foco no “tratamento humanizado” com qualidade, um dos valores da Fundação Pró-Rim, a parceria visa acelerar o acesso de pacientes renais ao tratamento odontológico — indispensável para a liberação do paciente entrar em lista de transplante e para acompanhar evolução da doença renal.
A parceria contou com uma aula inaugural com a médica nefrologista e diretora clínica da Fundação Dra Marina Abritta Hanauer que explicou para a turma do 9º o que é a Doença Renal Crônica (DRC) e sua relação com a saúde bucal. “É fundamental que o paciente renal tenha uma boa saúde bucal, porque a gente sabe que uma doença periodontal, por exemplo, pode fazer com que a doença renal evolua desfavoravelmente”, explica Dra Marina.
Para Constanza Marin de Los Rios Odebrecht, professora coordenadora de odontologia hospitalar da Univille, esta parceria visa unir dois conhecimentos importantes para o paciente renal a professora que vê esta parceria como benéfica para ambos os lados “esta parceria vai beneficiar tanto o paciente renal, como a universidade e a integração da medicina com a odontologia”. Completa.
DRC causa alterações na saúde bucal
Durante a aula, a Dra Marina explicou a relação da DRC com a saúde bucal. Devido ao controle de ingestão de líquidos, o paciente renal tende a salivar menos. Esta situação eleva o PH da saliva, diminui o magnésio e eleva a concentração de uréia e fósforo. Esta condição leva a uma precipitação de cálcio-fósforo e oxalato de cálcio. Estas substâncias propiciam o acúmulo de placas e a rápida formação de cálculos. A falta de higiene tende a acelerar a situação.
Além disso, a DRC causa halitose, condição que altera a percepção de gosto na boca, dando um aspecto metálico devido ao acúmulo da ureia no sangue que é convertida em amônia na saliva.
A doença renal crônica pode causar disfagia (dificuldade de engolir), infecções por candida, ulcerações, lábios secos e fissurados, perda do paladar, dificuldade de fala e na retenção das próteses totais e na mastigação. Além disso, devido ao uso de heparina (medicamento anticoagulante utilizado nas sessões de hemodiálise), podem aparecer hemorragias, manchas e sangramentos na gengiva ou membranas. Além disso, pode surgir uma condição clínica chamada osteodistrofia renal, que causa a perda de minerais, como cálcio, perda de dentes, causando uma série de transtornos para o paciente renal.
Para Dra Constanza, essa parceria trará um diferencial, não apenas para o curso e os alunos, como também para o paciente renal que contará com avaliação dental completa focada nessas condições “a odontologia, historicamente, sempre foi separada da medicina, mas nós estamos compreendendo mais saúde e doença e compreendendo o organismo como um todo”, explica.
Apenas os alunos do 9º período de odontologia poderão integrar o programa.
Fernando Rodrigues — Comunicação Pró-Rim




