
A ingestão de gordura trans pode trazer riscos à saúde. Evidências científicas mostram que os ácidos graxos trans têm implicações na saúde materno-infantil influenciando negativamente no processo de crescimento e desenvolvimento na fase fetal, isto graças à deficiência na formação dos ácidos graxos essenciais, os quais estão envolvidos na função psicomotora, sendo assim, gestantes devem excluir de sua dieta este tipo de gordura.
Os ácidos graxos trans também estão relacionados com doenças cardiovasculares, pois aumentam os triglicerídeos e o LDL-colesterol (ruim) e diminuem o HDL-colesterol (bom) no plasma. Os ácidos graxos com ligações trans presentes na membrana celular enfraquecem a estrutura da membrana e sua função protetora. Eles alteram a passagem normal de sais minerais e outros nutrientes pela membrana e permitem que micróbios patogênicos e substancias químicas tóxicas penetrem nas células com maior facilidade. O resultado seria a menor resistência imunológica com maior risco de doenças.
Desde a década de 60 iniciou-se a substituição da gordura saturada (manteiga e banha) por óleos vegetais na busca por uma gordura mais saudável e prática. A hidrogenação é o processo que transforma os óleos em creme vegetal (margarina) e acontece pela adição de hidrogênio aos óleos vegetais, procedimento que leva a solidificação da gordura e origina a gordura vegetal hidrogenada. Infelizmente este processo produz a gordura trans que é ainda pior para a saúde do que a gordura saturada.
As trans estão presentes em vários alimentos como: pães, margarinas e biscoitos, consumidos, diariamente por grande parte da população brasileira. A maior fonte alimentar é a gordura vegetal hidrogenada, largamente utilizada pela indústria devido ao baixo custo e por ela conferir sabor e tornar crocante os alimentos.
Quanto maior a quantidade e o tempo de consumo, mais a trans se incorpora ao organismo. Por isso é importante evitá-la. No Brasil, a Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) determinou que até 2006 os rótulos dos alimentos industrializados devessem obrigatoriamente informar ao consumidor a quantidade de gordura trans contida neles. O mesmo prazo foi dado pela Food Drug Adminitration (FDA) para as empresas americanas. Hoje, no Brasil, muitos alimentos já são isentos de trans e trazem essa informação no rótulo, inclusive os alimentos preparados nas padarias devem trazer a informação nutricional contendo o teor de trans.
A quantidade máxima recomendada para que não cause danos à saúde é de 2g de gordura trans/dia.
Os teores de ácidos graxos trans em alguns alimentos ainda são elevados e o consumo de apenas uma porção (3 biscoitos por exemplo) do mesmo pode ultrapassar a recomendação de consumo máximo de dois gramas ao dia de gordura trans. Os biscoitos são os produtos que apresentam maior teor de trans, ficando o biscoito wafer como o mais rico, seguido do biscoito doce recheado. As margarinas e cremes vegetais, soja em sua maioria sem trans, são exemplos de que a indústria alimentícia está investindo em outras tecnologias para a substituição da gordura vegetal hidrogenada. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
CHIARA, V.L.; SILVA, R.; JORGE, R.; BRASIL, A.P.; Ácidos graxos trans: doenças cardiovasculares e saúde materno-infantil. Rev. Nutr. V.15 n.3, Campinas set. 2002.
MARTIN, C.A.; MATSHUSHITA, M.; SOUZA, N.E.; Acidos graxos trans: implicações nutricionais e fontes na dieta. Rev. Nutr. V.17 n.3 Campinas jul./set. 2004.
IRGANG, M. Ácidos graxos trans. Curitiba, 2005. 42 f. Monografia (Especialização em Nutrição Clinica) – Setor de Ciências da Saúde, Universidade Federal do Paraná.
Por: Telma Tatiana Koene




