
No Brasil, cerca de 33 mil pessoas aguardam por um transplante renal, sendo 10 mil só no Estado de São Paulo. Esses números contrastam com as cirurgias realizadas de janeiro a setembro/2011: 3.719 em todo o país.
Em Santa Catarina, há 352 pacientes cadastrados na Central de Transplantes (outubro/2011) à espera de um rim. Mas o que determina a tão sonhada ligação informando sobre a disponibilidade do órgão?
Em primeiro lugar, é importante destacar que a lista não funciona por ordem de inscrição, mas sim pela compatibilidade. De acordo com a enfermeira do setor de Transplantes da Fundação Pró-Rim, Denise Bizzi Guterres, “a compatibilidade sanguínea é a primeira seleção. Segundo, a histocompatibilidade, que inclui o HLA (antígeno leucocitário humano) e o PRA ou painel (que diz se o receptor tem anticorpos pré-formados contra o possível doador). Essas semelhanças evitam que o sistema imunológico do receptor estranhe o novo rim e o rejeite”.
O retransplante é também um fator que pode aumentar o tempo de espera em lista. O paciente adquire anticorpos que elevam o painel (PRA), ou seja, o deixam muito mais sensível à rejeição caso venha a realizar o novo transplante, diminuindo assim, as possibilidades de doadores.
Santa Catarina é um dos estados que mais transplantam no país
A excelente taxa de doadores em Santa Catarina (25 doadores efetivos por milhão de população – pmp), torna o tempo de espera menor no estado. A título de comparação, a taxa de São Paulo é de 19,3 pmp, seguido do Rio Grande do Norte (17,3 pmp) e Ceará (16,6 pmp)*.
A eficiência do sistema de captação de órgãos em SC é outro importante fator de contribuição para que mais transplantes sejam realizados. Mas como se dá esse processo? A assistente social da Pró-Rim, Olinda Rezendes da Silva, explica:
1. A Central Nacional de Captação e Doação de Órgãos (CNCDO) do Estado de Santa Catarina, em Florianópolis, é informada da disponibilidade do órgão e juntamente com o Hemosc realizam a seleção dos receptores. Somente participam dessa seleção os receptores que estão prontos e inscritos em lista na CNCDO/SC.
2. O receptor que tiver maior compatibilidade com o doador no sistema HLA será transplantado.
3. A CNCDO/SC avisa à Fundação Pró-Rim quem é este receptor. A equipe entra em contato com o paciente e comunica sobre a possibilidade iminente do tão sonhado transplante.
{{imagem:graficot}}Clique na imagem ao lado e veja o gráfico com os transplantes renais por estado de janeiro a setembro de 2011, levando em conta a proporcionalidade da população (Fonte: Sociedade Brasileira de Nefrologia).
* Dados retirados do site da ABTO (Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos).




