

Campanhas de conscientização podem contribuir para diagnóstico precoce através de testes rápidos
Estudo divulgado neste ano de 2026 revela que 40% dos entrevistados apresentavam função renal abaixo de 60%, o que acendeu um alerta no país. Este levantamento foi realizado no Dia Mundial do Rim em 2025, quando foram entrevistados 8.374 adultos de 20 estados brasileiros. Apenas 35% dos abordados durante o estudo “EPI-DRC Brasil: triagem da doença renal crônica” em 2025 conheciam os fatores de risco para a Doença Renal Crônica (DRC). No Brasil, a estimativa é que entre 8 e 11% da população sofra de DRC.
O estudo “EPI-DRC Brasil: triagem da doença renal crônica com teste rápido de creatinina durante o Dia Mundial do Rim” foi publicado em abril de 2026, um ano após o início da pesquisa, no Jornal Brasileiro de Nefrologia da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN). Segundo o estudo, o teste de creatinina realizado no evento do ano passado, o POCTcr, mostrou-se fundamental como detector de alterações renais e pode ser utilizado como parte de campanhas estratégicas de rastreio e encaminhamento de pacientes para a atenção primária.
Considerando o vasto território do país, as disparidades socioeconômicas e as variações no
acesso aos serviços de saúde e aos exames diagnósticos, é provável que a
prevalência real esteja subestimada no país.
(EPI-DRC Brasil: triagem da doença renal crônica com teste rápido de creatinina durante o Dia Mundial do Rim. p. 2).

Dra. Viviane Calice-Silva é médica nefrologista e responsável pelo serviço de diálise peritoneal da Fundação Pró-Rim
Viviane Calice-Silva (CRM nº 12611, RQE 10121), médica nefrologista da Fundação Pró-Rim, é uma das autoras do artigo e diz acreditar que a baixa adesão ao exame de creatinina não é por falta de acessibilidade, mas por uma combinação de fatores: “às vezes, o paciente não realiza o exame por não ter sido solicitado nenhuma vez; por não ser interpretado como tendo um fator de risco que precise avaliar. São vários os motivos pelos quais, eventualmente, os pacientes não são diagnosticados de maneira correta”, explica.
A Doença Renal Crônica é um mal prevalente na população mundial, mas em grande parte, é subdiagnosticada. Para a dra. Viviane, “na medida que vamos realizando mais exames que rastreiam essas doenças, nós começamos a diagnosticar mais pessoas, porém, em estágios mais avançados que impedem a pessoa a se manter em tratamento conservador por mais tempo, necessitando da diálise”.
O que é creatinina?
A creatinina é uma substância resultante do metabolismo dos músculos. Ela não possui valor nutricional, nem nenhuma outra utilidade para o corpo. Em uma situação normal, ela é liberada pelos músculos na corrente sanguínea e retida pelos rins para ser eliminada na urina. Por isso, ela serve de marcador para estimar a função renal.
Porém, a creatinina não serve como atestado único de alteração renal. Outros exames são necessários para avaliação e detecção de doenças.
Atualmente, o diagnóstico da DRC baseia-se na estimativa da taxa de filtração glomerular (TFGe),
calculada pela equação CKD-EPI (2021), a partir dos níveis séricos de creatinina, além da avaliação da
presença de albuminúria por meio da relação albumina/creatinina em amostra isolada de urina (RACu).
A presença de TFGe < 60 mL/min/1,73 m² e/ou RACu > 30 mg/g, persistente por mais de 3 meses,
associada ou não a alterações na morfologia renal, define a DRC.
(EPI-DRC Brasil: triagem da doença renal crônica com teste rápido de creatinina durante o Dia Mundial do Rim. p. 2).

Solicite ao médico exames de rotina, como o de creatinina
Dra. Viviane explica que é importante que todas as pessoas realizem o teste de creatinina e o exame de urina pelo menos uma vez ao ano. “Pelo exame de urina, a gente consegue detectar alguma perda de proteína, sangramento ou outra coisa que possa sugerir uma doença renal, mesmo que a creatinina não esteja alterada ainda”, complementa. Para as pessoas que possuam algum fator de risco (a exemplo: hipertensão, diabetes, fatores genéticos), devem também realizar os testes uma vez ao ano e, se detectado alguma alteração, refazer o exame de acordo com o grau de alteração. “Pacientes que já estejam com doença renal, por exemplo, na fase G4 [taxa de filtração entre 15 a 29%], deveriam monitorar os exames a cada 3 meses, pacientes em fase G5, mensalmente”, exemplifica a nefrologista.
Além da creatinina, Dra. Viviane explica que outros exames também são importantes marcadores da função renal e precisam ser incluídos pelo menos uma vez ao ano nos exames de rotina, entre eles:
- Parcial de Urina
- Microalbuminúria (em caso de alterações presentes no exame de urina)
- Urina 24h (em caso de alterações presentes no exame de urina)
Ambulatório Conservador
Antes de chegar de fato a necessitar de uma Terapia Renal Substitutiva (TRS), o paciente que é previamente diagnosticado com alguma alteração renal pode recorrer ao ambulatório conservador. Atualmente, esta abordagem cuida de pacientes renais nos primeiros estágios da doença. Este tratamento busca conter o progresso da doença com medicações e outras formas terapêuticas, conservando as funções renais residuais e retardando a sua ida para a diálise. “O ambulatório conservador possibilita que o paciente seja manejado de forma mais otimizada e personalizada para cada paciente conforme o estágio da sua doença”, explica dra. Viviane.
É creatina ou creatinina?
Apesar dos nomes serem parecidos, são coisas diferentes. A creatina é uma substância que serve como uma “bateria” para os nossos músculos, garantindo mais energia durante treinos, por exemplo, retardando a fadiga muscular. É encontrada naturalmente nos alimentos e também produzida pelo nosso fígado e rins. Quando nosso corpo utiliza a creatina para obtenção de energia, uma segunda substância é gerada: a creatinina que não é aproveitada pelo nosso corpo. Enquanto a primeira nos garante energia, a segunda é eliminada pela urina e serve de marcador para medir a função renal. Quando em excesso no sangue, a creatinina pode indicar que os rins não estão trabalhando corretamente.
Principais grupos de risco para doença renal crônica:
- Hipertensos
- Diabéticas
- Pessoas com doenças cardiovasculares
- Obesos
- Pessoas acima de 60 anos
- Pessoas com histórico familiar de DRC
“Cuidar de pessoas e proteger o planeta – Exame de urina e creatinina para todos”
Há 20 anos que a Sociedade Brasileira de Nefrologia realiza o Dia Mundial do Rim com campanhas de alcance nacional e a Fundação Pró-Rim participa dessas ações há anos. Em 2026, uma intensa agenda de conscientização foi realizada nas clínicas de Santa Catarina e no Tocantins. Mais de 400 pessoas foram atendidas em Palmas e 629 em Joinville e um total de 1400 exames entre creatinina, glicemia e aferição de pressão arterial.
(…) ferramentas aplicáveis à beira-leito ou em ações comunitárias, especialmente na atenção
primária à saúde, podem contribuir para superar a ausência de triagem sistemática
e favorecer o encaminhamento oportuno.
(EPI-DRC Brasil: triagem da doença renal crônica com teste rápido de creatinina durante o Dia Mundial do Rim. p. 2 e 3).
Tudo o que você precisa saber sobre a creatina e creatinina você encontra no e-Book “Creatinina: o que é?” produzido pela Fundação Pró-Rim e que está disponível para você gratuitamente!
Fernando Rodrigues — Comunicação Pró-Rim

É creatina ou creatinina?



