
Karine de Queiroga Bucholdz mora em Joinville. É tecnóloga em alimentos, mestre em biotecnologia industrial, tem 37 anos e acumula inúmeros motivos para ser considerada uma legítima representante da força e determinação das mulheres, embora não se veja assim. Ela mantém uma rotina diária incansável: é funcionária de uma empresa de auditorias em gestão, proprietária de micro empresa na área de treinamentos e consultorias em diversas áreas e ainda é professora de graduação nos cursos de engenharia química e gastronomia. Suas principais disciplinas são microbiologia/bioprocessos, bioquímica, gestão da qualidade e tecnologia de alimentos em uma universidade privada.

Além de todas essas atividades, ela encontra tempo e disposição à noite para preparar o jantar do marido e do filho de quatro anos, incluindo todas as tarefas que uma dona de casa enfrenta. “Não sou neurótica pelo trabalho doméstico. Faço o que é possível. Esta função fica mais leve porque conto com a parceria do meu marido e do meu filho de quatro anos, que me ajudam e me incentivam o tempo todo. Além disso tenho uma pessoa que Deus colocou em minha vida aqui em Joinville, que cuida uma vez por semana da minha casa. Ela é uma segunda mãe pra mim”, reconhece a empresária.
Nos fins de semana, quando pode, ela busca o refúgio com a família nas praias de São Francisco do Sul ou vai visitar os parentes no Paraná. É devota de Santa Paulina e sempre encontra tempo para visitar o Santuário em Nova Trento. “O que dou mais importância na minha vida são: fé, saúde, família e trabalho. Sou devota de Santa Paulina e tudo de bom que acontece comigo se dá a partir dela”, define. Quando alguém a chama de guerreira, Karine minimiza e diz que tudo depende do planejamento diário. “O sucesso em tudo o que se faz vem do planejamento. Eu tenho tudo planejado já que meu tempo ficou mais curto”, admite a professora.
Em 8 de março acontecem dois registros: o Dia Internacional da Mulher e o Dia Mundial do Rim. E, acreditem, Karine tem tudo a ver com isso. Além de profissional competente, é doente renal crônica e desde novembro do ano passado faz tratamento de hemodiálise das 06 às 10 horas, todas as segundas, quartas e sextas-feiras. A doença começou aos cinco anos de idade em decorrência de uma má formação congênita que ocasionou longas infecções urinárias e que mesmo tratada, ao longo dos anos, contribuiu para reduzir a potência dos seus rins até chegar a cinco por cento e deixá-la dependente da máquina de hemodiálise.
“Desde criança me preparei para este momento. Sabia que um dia enfrentaria o tratamento. Busquei todas as informações importantes e aceitei cada fase da doença como uma necessidade fundamental de superação na minha vida. Busquei no conhecimento o aprendizado para conviver com a insuficiência renal crônica”, explica Karine. Prova disso é que em 2005 ela fez o curso técnico em enfermagem e em 2008 fez pós-graduação em Nefrologia para saber exatamente o que estava enfrentando e qual a estratégia que deveria adotar.
Eufórica, conta que pretende a partir de março de 2018 entrar na lista de espera para realizar o tão sonhado transplante renal com a equipe da Fundação Pró-Rim, instituição que cuida da sua saúde há alguns anos. Karine acredita que até o fim deste ano estará com um rim novo.
“Tenho consciência que o transplante não significa cura definitiva, mas certamente vai melhorar muito a qualidade de vida e permitir viagens com a família e uma mobilidade bem mais ampla. Sei que a minha santinha Paulina vai interceder para dar tudo certo”, confia Karine. Depois disso, ela descarta qualquer tipo de aposentadoria e revela que tão logo aconteça o transplante, vai realizar mais um sonho, que é adotar outro filho.





