
Além de tratarem uma doença crônica, as clínicas de diálise de todo o Brasil vem enfrentando uma crise financeira que parece também não ter cura. A campanha, organizada pela ABCDT e que tem apoio da Pró-Rim, manifesta o anseio dos centros de nefrologia pelo reajuste e melhores condições para manter o tratamento dos seus pacientes renais crônicos via SUS.

Paciente participando da campanha.
Você sabia que o paciente que sofre com a insuficiência renal tem a possibilidade de garantir sua sobrevida com o tratamento de diálise? Mas que esse serviço, muitas vezes garantido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), vêm passando por uma crise financeira gravíssima nos últimos anos? Resultando no fechamento e endividamento das clínicas de diálise de todo o Brasil. Por isso, na próxima quinta-feira (25/08) ocorre o “Dia D da Diálise”, uma manifestação da campanha “Vidas Importam. A diálise não pode parar”, que tenta sensibilizar os governantes e a sociedade perante a realidade que os pacientes e centros de diálise vêm enfrentando.
A campanha é uma iniciativa da Associação Brasileira dos Centro de Diálise e Transplante (ABCDT) e tem o apoio da Fundação Pró-Rim, instituição filantrópica que atende mais de 700 pacientes renais crônicos e que também vive os impactos da crise financeira. Atualmente, cerca de 144 mil pacientes renais dependem do tratamento de diálise para sobreviver no Brasil, segundo dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN).
Clínicas não conseguem manter os atendimentos
A crise nos centros de diálise se intensificou nos últimos quatro anos, de acordo com a ABCDT, 40 clínicas não conseguiram manter suas atividades e foram à falência por causa de repasses insuficientes. Dependendo do porte da clínica, os valores recebidos pela prestação de serviços estão de 36% a 49% abaixo do custo real do tratamento.
“A crise no setor se deve a dois pontos principais, o repasse insuficiente por parte do Governo e o alto custo dos insumos utilizados no tratamento, os quais na sua maioria são importados. Com esse cenário, muitas clínicas que atendem via SUS fecharam ou estão endividadas para arcar com os custos e manter o tratamento aos pacientes”, complementa o Presidente da Fundação Pró-Rim, Dr. Marcos A. Vieira, também ex-Presidente da ABCDT.

Equipe do Vida Center na campanha de 2021.
Reajuste deficitário
Um dos objetivos da campanha é o reajuste da Tabela SUS da Diálise por parte do Governo Brasileiro. Depois de grande mobilização dos centros com os representantes políticos, em 2022 houve o reembolso da sessão de hemodiálise de R$ 194,20 para R$ 218,47, mas os cálculos de 2021 indicam que, apensa para corrigir os efeitos da inflação esse valor deveria ser 32,07% superior. Hoje, o custo médio por sessão está em R$ 288,54.
Cofinanciamento pode melhorar condições
Para melhorar a situação das clínicas de diálise, alguns Estados estão adotando o cofinanciamento local, ou seja, cobrindo o déficit entre os custos das sessões de diálise e o valor repassado pelo SUS. Além de Santa Catarina, os estados do Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul já adotaram essa política.
“Este formato de gestão entre União, Estado e Municípios por parte ajuda a diminuir os problemas e contribui muito para mudar a realidade nacional, mas isso não isenta a responsabilidade do Governo de rever a tabela SUS e investir recursos na saúde”, analisa o presidente da Pró-Rim. “O que precisamos é um canal de comunicação entre os Estados e Municípios com os centros de diálise para buscar soluções para esta crise, que já é reconhecida por todos, inclusive pelo Ministério da Saúde. Lembro da frase: saúde não tem preço, mas tem custo.”
Participe da campanha
Na quinta-feira (25/08) está programado um twittaço do Dia D da Diálise usando a hashtag #ADialiseNaoPodeParar a partir das 9h da manhã. Peças de divulgação com apoio à causa, curiosidades e depoimentos de pacientes estão sendo divulgados em www.vidasimportam.com.br, e nas páginas do Facebook e Instagram do @vidasimportam.
Jenifer Leu dos Santos
Comunicação – Fundação Pró-Rim





