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Censo brasileiro de diálise 2025 contou com 44% de clínicas participantes

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  • Censo brasileiro de diálise 2025 contou com 44% de clínicas participantes
3 de julho de 2026
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    Importante indicador da situação da diálise no país, o Censo Brasileiro de Diálise referente ao ano de 2025 já está disponível para consulta. Desenvolvido pelos pesquisadores da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), o relatório teve um aumento de 4,9% de participação das clínicas cadastradas — de 386 unidades em 2024 para 405 em 2025.

    Fabiana Baggio Nerbass, nutricionista pesquisadora da Pró-Rim e membro da SBN explica que o aumento da participação “nos deixou contentes e é reflexo do maior engajamento dos dirigentes das unidades de diálise e também dos presidentes das regionais estaduais que participaram mais ativamente este ano”, reflete.

    Pacientes em diálise

    Em relação a 2024, o número estimado de pacientes em diálise sofreu um sutil acréscimo de 0,5%, passando de 172.585 para 173.408. No comparativo com 2023, a mudança fica ainda mais expressiva: em 2023, a estimativa era de 157.537 pacientes. Um aumento de 8,71% com 2024. “Essa desaceleração parece ser amplamente impulsionada por um menor aumento no número de unidades de diálise, considerando que as estimativas do censo nacional são baseadas no número de unidades registradas na SBN. A taxa de crescimento entre 2024 e 2025 foi de 0,9%, substancialmente abaixo do aumento médio anual de aproximadamente 2,5% observado na última década”, explica a pesquisadora.  

    A Fundação Pró-Rim inaugurou no final de 2025 mais uma unidade de diálise para atender a demanda reprimida da grande Florianópolis. Com 1100m² de área, a unidade tem capacidade para atender até 240 pessoas pacientes/mês.  

    Por região, este decréscimo é notado, com destaque para a região sudeste que decaiu 4,6% no número de pacientes em diálise em julho de 2025 e 0,6% na região sul e 1,7% na região centro-oeste. Nas demais regiões, houve um aumento de 0,5% na região nordeste e 0,1% na região norte.   

    Hemodiálise segue como terapia mais utilizada

    Das terapias dialíticas mais utilizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a hemodiálise (HD) segue sendo a mais utilizada. No censo anterior (2024),  94,6% das clínicas participantes contavam com a hemodiálise como TRS principal. Em 2025, apesar da aparente queda,  76,04% das clínicas oferecem o tratamento. A Diálise Peritoneal Automatizada (DPA) fica em segundo lugar, todavia, com números um pouco menos expressivos e com queda no período analisado, de 4,5% em 2024 para 3,05% em 2025.

    Nos dados globais, a hemodiálise comporta 87,3% da modalidade de tratamento oferecido e seguiu inalterado em relação ao censo anterior. A hemodiafiltração (HDF) teve um aumento de 1,4 pontos percentuais , passando de 7,1 para 8,5%. A diálise peritoneal (DP), entretanto, teve queda de 5,6 para 4,2%. “A diminuição na utilização da DP, entre outros fatores, é também reflexo da falta de políticas públicas de incentivo ao uso desta modalidade na maioria do país. Em estados com financiamento adicional do governo local para aumentar o reembolso por paciente em DP o percentual é maior que a média nacional”, afirma Fabiana. Para a médica nefrologista dra. Viviane Calice-Silva, essa subutilização da DP deriva de antigas crenças da ineficiência desta modalidade, que mais tarde mostrou-se equivocada. “Por muito tempo achou-se que a diálise peritoneal não era tão eficaz quanto à hemodiálise, mas depois, com estudos, provou-se que ela é sim tão eficaz quanto”, esclarece.

    Outra questão que ainda perdura acerca da diálise peritoneal é o repasse financeiro que ainda se mostra inferior em comparação com a hemodiálise, o que compromete, no ponto de vista econômico, a sustentabilidade desta terapia nas clínicas. Apesar destes fatores, dra. Viviane afirma que tem havido movimentos junto ao Ministério da Saúde para o incentivo da implementação de mais ofertas de DP nas clínicas de diálise no país. “Houve recentemente um incremento de repasses tanto na hemodiálise, quanto na diálise peritoneal, além de políticas de cofinanciamento estaduais como incremento para introdução desta modalidade como terapia renal substitutiva. Em Santa Catarina há o cofinanciamento do estado para a diálise peritoneal que facilitou para as clínicas aumentarem o número de pacientes utilizando esta modalidade”, esclarece dra Viviane que também afirma que apesar de haverem critérios de indicação ou não, a maioria dos pacientes podem sim realizar a diálise peritoneal como TRS. 

    Percentual de homens e mulheres em diálise permaneceu inalterado

    No quesito sexo, o percentual de homens e mulheres em diálise permaneceu inalterado, com 59% dos pacientes sendo homens e 49% mulheres. No quesito “idade”, houve um aumento suave entre as faixas etárias de 20 a 44 anos (+ 0,3%), 45 a 64 anos (+ 0,8%) e 65 a 74 anos (+ 0,1%). Entre os idosos a partir dos 75 anos, houve uma queda de 0,3%.

    Diabetes e hipertensão seguem como as principais causas. 

    O diabetes teve um aumento de 1 ponto percentual como causa primária da doença renal crônica (DRC). A hipertensão teve uma leve queda de 2 pontos percentuais, passando de 29 para 27%. Glomerulonefrite e rins policísticos se mantiveram na mesma proporção com 7% e 4% respectivamente. “Outras causas” e “Indefinido” tiveram aumento de 1% , passando de 12% para 13% e de 19% para 20% respectivamente.

    Nas sorologias, a prevalência da hepatite B se manteve em relação ao ano anterior em 0,7 pontos percentuais (pp).  Hepatite C teve uma queda de 0,3 pp, passando de 2,1 para 1,8. O HIV teve aumento de 0,5 pp, passando de 1,0 para 1,5. Na Pró-Rim, o percentual de pacientes com registros de hipertensão em hemodiálise no mesmo período do Censo é de 18,1%. Já os pacientes com diabetes é de 25,97%.

    Uso do cateter ainda se mantém alto 

    Entre os acessos para o tratamento, a fístula arteriovenosa permanece como a mais utilizada tendo um acréscimo de 1%, passando de 65% para 66%. O catéter de longa permanência se manteve estável em 23%; o de curta teve queda de 1% , passando de 8 para 7%. A prótese também se manteve em 4%.

    Pacientes com eutrofia pelo Índice de Massa Corporal  se mantém como maioria, porém continua em queda no retrospecto dos censos

    Pacientes com eutrofia (IMC entre 18,5 e 24,9 kg/m² )se mantém como maioria, com 46%. Porém, ao analisar os censos de 2018 a 2024, nota-se uma queda de 5%. “Os resultados refletem o que observamos na população em geral. Diminuição da prevalência  de pessoas com baixo peso e aumento das com sobrepeso e obesidade”, esclarece Fabiana. Pacientes com baixo peso tiveram queda de 1%. O sobrepeso se manteve estável em 30%. Obesidade graus I, II e III tiveram aumento de 1%.

    Eritropoietina tem queda e prevalência de hiperfosfatemia  se mantém elevada  

    O uso da eritropoietina (medicação utilizada para produção de que estimula a medula óssea a produzir glóbulos vermelhos) vem sofrendo queda de prescrição. De 2018 para cá, a prescrição diminuiu, de  77% em 2018, para 66% em 2025. Em comparação com o censo passado, houve uma queda de 6 pontos percentuais. Ferro IV também teve queda de 46% para 44%. Já o calcitriol e o paricalcitol subiram 1% (12% para 13%). Sevelamer, e cinacalcete mantiveram os percentuais do censo anterior (42% e 19% respectivamente).  

    No quesito “exames em não conformidade”, a hiperfosfatemia  teve uma queda de 1% em relação ao ano anterior (de 33% para 32%), mas ainda é um dos maiores pontos em não conformidade com os valores recomendados (P > 5,5mg/dL). Hemoglobina (Hb) < 10g/dL manteve-se em 31%. Hb  > 13g/dL (de 12% para 11%), potássio e albumina caíram 1% cada. Paratormônio (PTH), tanto > 600pg/mL quanto < 100pg/mL se mantiveram estáveis (com 21% e 14% respectivamente). Já o índice Kt/V (que mede a eficácia da diálise pela taxa de ureia removida),  com referência < 1,2, teve queda de 2% (de 24% para 22%).

    Houve aumento no número de óbitos

    No comparativo com 2021, o número de óbitos declinou de 33.101 para 30.327, um total de 8,38%. Porém, em relação a 2024, houve um aumento de 2,02%, passando de 29.712 para 30.327 mortes no período. Apesar do aumento, a taxa de mortalidade anual dos pacientes em diálise continua caindo em relação ao período de 2020, que registrou pico de 24,5% em 2020. A pandemia de Covid/19 contribuiu para a elevação da mortalidade. Com relação a 2024, tivemos uma queda de 0,4%. O menor índice dos últimos 5 anos.

    Fernando Rodrigues — Comunicação Pró-Rim

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