
Geralmente ocorre uma alteração importante no cotidiano: a pessoa precisa abandonar algumas atividades e lidar com as sessões de quatro horas de hemodiálise, ao menos três vezes por semana. A aceitação da doença é o primeiro passo para que o paciente obtenha qualidade de vida durante o tratamento.
A cada sessão de hemodiálise o paciente retira do organismo toxinas e líquidos que caberiam aos rins filtrar. O bem estar do paciente passa ainda por uma dieta balanceada, conforme indicação de nutricionistas, e que ele adquira a consciência de que a alimentação vai ajudar a garantir uma diálise tranquila. Entre as principais mudanças está também o controle na quantidade de líquido que se pode ingerir. Além disso, alguns alimentos precisam ser preparados de forma diferente e outros limitados na quantidade.
Há recomendações que se estendem para as pessoas sem problemas nos rins: evitar o abuso de álcool, não fumar (acelera o processo de aterosclerose em todas as artérias do organismo inclusive no rim que é um órgão muito irrigado), fazer caminhadas e evitar ao máximo o stress. Pensar positivo e ver a diálise como um método de tratamento é igualmente crucial. Para prolongar a vida e o bem estar, deve-se seguir as orientações médicas e usar as medicações corretamente.
As duas principais causas da DRC são o diabetes e a hipertensão. Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), no Brasil, existem mais de 14 milhões de diabéticos e aparecem 500 novos casos por dia. Se não controlada, a diabetes pode causar danos a muitas partes do corpo, especialmente aos rins. Podem ocorrer também o desenvolvimento de pressão sanguínea alta e endurecimento das artérias (arteriosclerose).
Dentre as várias complicações do diabetes, vale destacar a Nefropatia Diabética (ND), uma complicação no rim que leva à perda de proteínas na urina e que, com passar do tempo, pode piorar a situação do órgão e parar seu funcionamento. O primeiro sinal de Doença Renal Crônica em pessoas com diabetes é a presença de albumina na urina. Ela está presente muito antes de existir evidência de insuficiência renal nos exames de sangue normais solicitados no consultório médico.
Pode também ser um sinal precoce de anormalidades nos vasos sanguíneos, por isso é importante que se realize exame de urina para detectar microalbumina (microalbuminúrica) anualmente, além de um exame de sangue comum para creatinina sérica, a fim de se estimar a capacidade de filtração dos rins — a denominada Taxa de Filtração Glomerular (TFG).
A melhor orientação continua sendo a prevenção, da criança ao idoso: beber ao menos dois litros de água por dia, realizar atividades físicas supervisionadas, ter uma dieta equilibrada e realizar o exame de creatinina regularmente.
Por: Dr. Hercílio Alexandre da Luz Filho – Fundador da Pró Rim – CRM/SC 2.297