
Tontura, fraqueza, enjoo, câimbra e dor de cabeça merecem atenção. Avise a equipe assim que perceber qualquer um desses sinais.
Quando os rins deixam de funcionar adequadamente, a hemodiálise assume parte do trabalho que eles faziam: filtrar o sangue, retirar o excesso de líquido do corpo e ajudar a manter o equilíbrio de minerais importantes para o organismo.
Mesmo com o acompanhamento constante da equipe, algumas pessoas podem sentir mal-estar durante ou depois da sessão. Entre as queixas mais comuns estão tontura, fraqueza, suor frio, enjoo, dor de cabeça, câimbras e queda da pressão arterial.
Muitos pacientes acham que esses desconfortos fazem parte do tratamento e preferem aguentar calados. Não deveria ser assim. Todo mal-estar precisa ser informado à equipe imediatamente.
Por que isso acontece?
Uma das causas mais comuns é a queda da pressão durante a sessão. Isso pode acontecer quando o organismo tem dificuldade para se adaptar à retirada de líquido, especialmente quando é necessário remover uma quantidade maior em pouco tempo.
Uma das situações que favorecem esse problema é o acúmulo de líquido entre uma sessão e outra. Esse excesso aparece na balança como ganho de peso. Quando isso acontece, pode ser necessário retirar uma quantidade maior durante a hemodiálise, aumentando a possibilidade de tontura, enjoo, câimbra e queda da pressão.
Mas nem sempre essa é a causa. Alterações na glicose do sangue, anemia, problemas no coração, infecções e alguns medicamentos também podem provocar mal-estar. Por isso, cada caso precisa ser avaliado individualmente pela equipe.
Sentiu algo? Avise na hora
Fale com a equipe assim que perceber qualquer desconforto, mesmo que pareça pouca coisa. Não espere passar sozinho nem deixe o sintoma piorar.
A equipe vai medir sua pressão, conferir os outros sinais e avaliar quais cuidados são necessários naquele momento. O que será feito depende da possível causa e do seu estado de saúde.
Enquanto estiver passando mal, não tente se levantar nem caminhar sem ajuda. Permaneça na posição orientada pelos profissionais e explique o que está sentindo, quando o sintoma começou e se isso já aconteceu em outras sessões. Essas informações ajudam a equipe a entender a situação e definir a conduta mais adequada.
O que ajuda a prevenir?
Alguns cuidados podem ajudar a tornar as sessões mais seguras e confortáveis:
– Respeite a quantidade de líquidos orientada pela equipe;
– Consuma menos sal, pois ele aumenta a sede e favorece o acúmulo de líquido no corpo;
– Compareça a todas as sessões e não interrompa o tratamento antes do horário sem orientação;
– Siga a alimentação recomendada pela nutricionista;
– Informe à equipe todos os medicamentos que utiliza, inclusive os comprados sem receita;
– Não mude o horário nem suspenda os remédios para pressão por conta própria;
– Avise se o mal-estar estiver se repetindo;
– Conte à equipe se teve febre, diarreia, vômitos, falta de apetite ou dificuldade para respirar nos últimos dias.
Controlar o consumo de sal e de líquidos ajuda a evitar que o paciente chegue à sessão com excesso de líquido acumulado. Além disso, faltar ou reduzir o tempo do tratamento pode tornar a sessão seguinte mais difícil.
É importante lembrar que as orientações mudam de uma pessoa para outra. A quantidade de líquidos permitida, a alimentação, os horários dos medicamentos e o “peso seco”, que é o peso esperado ao final da sessão, sem excesso de líquido no organismo, são definidos individualmente. O que funciona para outro paciente pode não ser adequado para você.
Quando procurar ajuda imediatamente?
Durante a sessão, qualquer sintoma deve ser comunicado à equipe.
Fora da clínica, procure atendimento de urgência se apresentar:
– Dor ou aperto no peito;
– Falta de ar intensa;
– Desmaio, confusão ou fraqueza muito intensa;
– Sangramento que não para;
– Febre alta, calafrios ou piora rápida do estado geral.
Entre imediatamente em contato com a clínica de diálise ou procure o serviço indicado pela equipe se perceber:
– Dor, vermelhidão, calor, inchaço ou secreção no local da fístula ou do cateter;
– Diminuição ou ausência da vibração habitual da fístula;
– Sangramento prolongado no acesso;
– Qualquer alteração importante no cateter;
– Curativo do cateter molhado, sujo, solto ou com sangramento.
Cuidados importantes com o cateter
O cateter de hemodiálise exige cuidados especiais para evitar infecções e outras complicações:
– Não molhe o cateter nem o curativo;
– Proteja o curativo durante o banho;
– Não retire, troque ou manipule o curativo do cateter;
– Mantenha o curativo sempre limpo e seco;
– Se o curativo molhar, sujar, soltar ou apresentar sangramento, entre em contato imediatamente com a clínica de diálise;
– Não tente corrigir o problema sozinho. Siga sempre as orientações da equipe.
Passar mal durante a hemodiálise não significa que o tratamento precise ser abandonado. Muitas vezes, é possível identificar a causa e ajustar os cuidados para as sessões seguintes. O paciente não deve esconder os sintomas, tomar medicamentos por conta própria nem deixar de comparecer ao tratamento.
Paciente, família e equipe trabalham juntos. Quanto antes a equipe souber o que está acontecendo, mais rapidamente poderá avaliar a situação e tomar as medidas necessárias para tornar o tratamento mais seguro e confortável.
Por Dr. Winglerson dos Santos Cordeiro (CRM-TO 3506 e RQE 3528), médico nefrologista e responsável técnico da Fundação Pró-Rim em Gurupi - TO.

Tontura, fraqueza, enjoo, câimbra e dor de cabeça merecem atenção. Avise a equipe assim que perceber qualquer um desses sinais.


