
Dr Hercilio com a placa de homenagem pela sua contribuição com o Programa de Residência Médica em Nefrologia no Hospital Municipal São José de Joinville.

Hercilio Alexandre da Luz Filho é o vencedor do ISN Pioneer Award 2027 pela América Latina, prêmio da Sociedade Internacional de Nefrologia que homenageia médicos que transformaram o cuidado renal em seus países. Ao todo, 8 profissionais foram reconhecidos: África, Europa Oriental e Central, América Latina, Oriente Médio, NEI e Rússia, Norte e Leste da Ásia, Oceania e Sudeste Asiático e Sul da Ásia
Quando Hercilio Alexandre da Luz Filho começou a atuar em Joinville, no fim dos anos 1970, a diálise era feita quase só dentro de hospitais e o transplante renal praticamente não existia na região. Quatro décadas depois, o nefrologista que ajudou a mudar esse cenário acaba de ser reconhecido pela Sociedade Internacional de Nefrologia (ISN, na sigla em inglês) como vencedor do ISN Pioneer Award 2027 representando a América Latina. O prêmio será entregue durante o Congresso em Kuala Lumpur, na Malásia, em abril de 2027.
Nesta edição, a ISN premia oito profissionais, um por região do mundo. Criado em 2013 e concedido a cada dois anos, o Pioneer Award homenageia médicos que realizaram esforços extraordinários para desenvolver a nefrologia em seus países ou regiões. Hercilio é o segundo brasileiro reconhecido na categoria América Latina desde a criação do prêmio. “Eu acho que agora, para coroar minha carreira, veio esse título de reconhecimento mundial”, afirma.
Uma inquietação no início dos anos 1980

Dr Aluisio e Dr Hercilio nas fundações da unidade Joinville (anos 90)
Ao lado do também nefrologista José Aluisio Vieira, Hercilio cofundou o Centro de Tratamento de Doenças Renais, CTDR, em 1985. Dois anos depois, em 22 de dezembro de 1987, nascia a Fundação Pró-Rim. “Nós não víamos perspectiva de crescimento e a diálise era só feita no hospital”, recorda.
A preocupação com o paciente esteve presente desde o começo. Com o aumento da demanda vieram novos equipamentos, novas unidades e iniciativas voltadas a necessidades que ultrapassam a diálise, como a alimentação de quem faz tratamento. “Nossa principal preocupação sempre foi essa: primeiro olhar o paciente”, diz.
Essa mesma orientação sustentou a formação de equipes multiprofissionais, com psicólogos, assistentes sociais, nutricionistas, profissionais de enfermagem e médicos, em uma época em que essa estrutura ainda não era uma exigência formal. “Já havia a percepção de que não adiantava só o médico. Tinha que ter as enfermeiras, a equipe multidisciplinar”, explica.
Assista aqui a entrevista do Dr Hercilio para o especial “Pró-Rim Memórias”

Dra Aluisio e Dr Hercilio na inauguração da Pró-Rim Educação
Formar quem cuida
A partir dos anos 1990, a instituição incorporou a residência médica e, mais tarde, estruturou iniciativas de educação e capacitação profissional. Hercilio foi preceptor da residência por 13 anos, atuou por mais de duas décadas como diretor clínico e presidiu a Fundação Pró-Rim entre 2008 e 2015.
“Eu tenho outro orgulho, que é ter participado da criação da Pró-Rim Educação. Lá a gente forma o material humano, e a grande maioria que se forma lá vem trabalhar conosco”, conta.
O compromisso com a qualificação também marcou sua atuação nos transplantes. Especializado em nefrologia no Hospital da Lagoa, no Rio de Janeiro, passou ainda um ano no Hospital das Clínicas, em São Paulo, para se dedicar ao transplante renal. Participou de mais de mil transplantes ao longo da carreira.
Dez clínicas e 1.400 pacientes

Dr Hercilio com a placa de homenagem pela sua contribuição com o Programa de Residência Médica em Nefrologia no Hospital Municipal São José de Joinville.
Hoje, Pró-Rim e CTDR somam dez clínicas e atendem mais de 1.400 pacientes em todas as etapas do cuidado à doença renal crônica: ambulatório conservador, hemodiálise, diálise peritoneal, acompanhamento pré e pós-transplante e transplante renal. São mais de 126mil sessões de hemodiálise por ano, mais de 2.100 transplantes realizados e 99% dos serviços ofertados gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Para Hercilio, esses números explicam por que a homenagem não pode ser lida como individual. “Foi um reconhecimento pelo meu trabalho e pelo trabalho da Fundação Pró-Rim. Não é só uma pessoa; é um grupo todo que se juntou para fazer a nefrologia crescer em Santa Catarina, em Joinville e no Brasil”, afirma.
O presidente da Fundação Pró-Rim, Maycon Truppel Machado, avalia que a premiação reconhece uma contribuição decisiva para o avanço da assistência renal em Santa Catarina e no país. “A homenagem da Sociedade Internacional de Nefrologia ao doutor Hercilio Alexandre da Luz Filho reconhece uma trajetória que ajudou a transformar o cuidado renal em Santa Catarina e no Brasil. Sua visão, competência e compromisso com os pacientes foram decisivos para a criação e o desenvolvimento da Fundação Pró-Rim. Este prêmio também valoriza todas as pessoas que, ao longo de quase quatro décadas, contribuíram para construir uma instituição comprometida com assistência de qualidade, ensino, pesquisa e acesso ao tratamento para quem vive com doença renal crônica”, afirma Maycon Truppel Machado.
Cidadão Honorário e Cidadão Benemérito de Joinville e membro da Academia Catarinense de Medicina, Hercilio considera o reconhecimento internacional o mais importante que receberá.
Primeiro, o paciente
O que aparece com mais força quando se fala da própria história não são os cargos nem os números. “O que eu acho principal é tratar bem os pacientes. Eu tenho uma preocupação muito grande de tratar bem os doentes”, diz.
Mais do que celebrar uma trajetória, ele espera que a homenagem reforce valores que considera essenciais para as próximas gerações: compromisso técnico, formação contínua, trabalho em equipe e respeito às pessoas atendidas. “O que eu quero é que eles continuem com os nossos valores. Que estes valores continuem depois da nossa aposentadoria”, afirma. “Eu gosto de tratar pessoas, eu gosto de pessoas. Eu nunca fiz isso por dinheiro. O dinheiro é uma consequência que vem atrás. Acho que eu nasci para isso e vou morrer sendo médico.”
Um sim que sustenta essa história
O anúncio chega em setembro, mês dedicado à conscientização sobre doação de órgãos. Boa parte da história que a ISN reconhece foi construída sobre transplantes que só existiram porque famílias disseram sim em um dos momentos mais difíceis de suas vidas.
Na Pró-Rim, a gente entende esse prêmio como um convite: converse com a sua família sobre doação de órgãos. Um sim pela vida.
Ana Negreiros, Fernando Rodrigues — Comunicação Pró-Rim

Primeiro, o paciente



