

Juntas, as duas doenças respondem por 62,1% dos casos de diálise no Brasil, segundo o Ministério da Saúde, e não dão sinais até estágios avançados

Leucir Conti, em entrevista para as redes sociais da Fundação Pró-Rim

Jamilton Machado, em entrevista para o especial “Histórias de Amor à Vida”
Jamilton Machado foi fazer uma consulta médica na clínica da empresa onde trabalhava. Ao aferir a pressão arterial, um susto: o aparelho marcava 24×12. “Eu não tive sintomas. Por insistência das minhas irmãs, fui ao médico e só saí 14 dias depois diagnosticado e fazendo hemodiálise”, contou. Já Leucir Conti convive há mais de 3 décadas com o diabetes. A doença comprometeu as suas funções renais e, há pouco mais de 5 anos, teve de começar a fazer hemodiálise. O diabetes também custou a sua visão: ela está completamente cega há 2 anos.
Casos como os de Jamilton e Leucir se repetem aos milhares pelo Brasil. Hipertensão e diabetes respondem por 62,1% dos diagnósticos primários de pacientes em diálise no país, segundo o Ministério da Saúde.
O cenário se repete mundo afora: a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a doença renal atinge 1 em cada 5 pessoas com pressão alta e 4 em cada 10 diabéticos.
Na Fundação Pró-Rim, em 2025, 44% dos pacientes em diálise tinham as duas doenças como causa base. Para a médica nefrologista Stephanie Emanuela Araujo Santana (CRM-SC 19899 | RQE 19145), essa alta prevalência se explica porque “são duas doenças extremamente frequentes na população e ambas agridem diretamente os rins de forma silenciosa e progressiva”, declara.
E justamente por atacarem de forma quase assintomática, muitas pessoas só as descobrem em uma emergência hospitalar. Dados do DATASUS, sistema do Ministério da Saúde, apontam que 155.428 pessoas estavam em terapia renal substitutiva pelo SUS no país entre janeiro e julho de 2025.
Silêncio devastador

Dra Stephanie Araujo Santana, médica nefrologista
Tanto o diabetes, quanto a hipertensão e a própria doença renal crônica agem de forma discreta no nosso organismo. Os sintomas só se manifestam nos exames de rotina ou quando os danos já são muito extensos e irreversíveis. “Os rins são formados por milhões de pequenos filtros (os néfrons), que dependem de vasos sanguíneos extremamente finos para funcionar. O diabetes e a hipertensão danificam justamente esses pequenos vasos e com o tempo esses filtros vão perdendo a capacidade de trabalhar”, afirma Dra. Stephanie.
O excesso de açúcar no sangue, causado pelo diabetes mal controlado, entope e enrijece os pequenos vasos que filtram o sangue dentro do rim. Essa condição é chamada de nefropatia diabética: “Geralmente é um processo lento e silencioso, que leva anos para se manifestar, mas começa bem antes de dar sintomas. Por isso, o controle desde o diagnóstico é fundamental”, informa a médica.
Na hipertensão, o dano é semelhante: a pressão elevada de forma descontrolada e constante reduz a irrigação do órgão e também leva a uma perda progressiva da função renal. “Assim como o diabetes, costuma ser um dano cumulativo: quanto mais tempo a pressão fica descontrolada, maior o risco de ter doença renal”, complementa. Mas isso não significa que os picos sejam inofensivos: “o descontrole, como uma crise hipertensiva ou uma descompensação glicêmica grave, também pode causar lesões renais agudas”, afirma Dra. Stephanie.
Controle e prevenção

Dr Hercilio Alexandre da Luz Filho, em entrevista para o Pró-RimCast
Em entrevista ao Pró-RimCast (episódio 20), o médico nefrologista Dr. Hercilio Alexandre da Luz Filho (CRM-SC 2297 | RQE 459) explica que a hipertensão é uma doença crônica, ou seja, sem cura. Uma vez diagnosticada, o desafio é manter o controle por meio de medicações e hábitos de vida mais saudáveis: “A aderência ao tratamento é um fator importante. O paciente não pode deixar de tomar o remédio, mesmo que a pressão fique normal”, explica. Segundo ele, muitos pacientes abandonam a medicação quando veem a pressão normalizada, achando que estão curados, “e aí vem o efeito rebote, que é mais difícil de controlar”. “Nem todo mundo evolui para doença renal crônica, e o principal diferencial é o controle da doença”, afirma Dra. Stephanie.
Alguns cuidados essenciais:

Sobre a Fundação Pró-Rim
Referência nacional em Nefrologia, a Fundação Pró-Rim é uma instituição da administração privada, filantrópica e sem fins lucrativos, fundada em 1987, em Joinville (SC) e, desde 2005, também está presente no Tocantins. Pioneira em transplantes renais e tratamentos de diálise, a instituição dedica 99% dos seus atendimentos aos pacientes do SUS, acumulando mais de 2.100 transplantes realizados e milhares de sessões de hemodiálise anuais com certificação de excelência ‘Qmentum International Diamond’. Site oficial: www.prorim.org.br
* Fonte: Fundação Pró-Rim | Etiologia dos pacientes renais crônicos de 01/01/2025 a 31/12/2025 obtidos em 07/08/2026, 12h15.




